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Novembro
03
2026

Dia do Livro: debate aborda o uso da inteligência artificial na produção científica

  Atualizada: 03/11/2026
Primeira edição do projeto reuniu professores e comunidade acadêmica para refletir sobre o uso ético da IA na pesquisa e na divulgação do conhecimento

Café com prosa

Evento foi realizado na Biblioteca central, no Dia do Livro, e contou com a presença de docentes, estudantes e técnicos.
 

Café com prosa

Evento foi realizado na Biblioteca central, no Dia do Livro, e contou com a presença de docentes, estudantes e técnicos.

 

A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) realizou, na última quinta-feira (29/10), a primeira edição do projeto Café com Prosa Acadêmica, com o tema “IA e Ciência na Universidade: Desafios e Perspectivas para a Produção e Divulgação do Conhecimento”. Promovido pela Diretoria de Acervo e Difusão do Conhecimento (DADIC), o encontro integrou a programação em comemoração ao Dia Nacional do Livro e abriu espaço para reflexões sobre as oportunidades e os desafios do uso da inteligência artificial no ambiente universitário.

O debate contou com a participação do professor Matheus de Carvalho Hernandez, da Faculdade de Direito e Relações Internacionais (FADIR), e da professora Valguima Victoria Viana Aguiar Odakura, da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia (FACET).

Durante a discussão, o professor Matheus destacou a importância de preservar a autonomia intelectual dos pesquisadores diante do avanço das ferramentas de inteligência artificial. Segundo ele, a produção científica deve contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico, e o uso passivo dessas tecnologias pode comprometer o amadurecimento intelectual e a capacidade de investigação. “A pesquisa científica deve ser um processo de emancipação, voltado ao desenvolvimento da autonomia. Quando a inteligência artificial é utilizada de forma passiva e sem reflexão crítica, o pesquisador corre o risco de se tornar apenas um consumidor de respostas automáticas, deixando de desenvolver sua própria capacidade de análise e construção do conhecimento”, ressaltou.

A professora Valguima reforçou sua preocupação com a forma como a IA tem sido utilizada no ambiente acadêmico e profissional. “As ferramentas de IA foram criadas para aumentar a nossa produtividade. Nesse contexto, um profissional experiente utiliza essa ferramenta para automatizar tarefas corriqueiras, e devido ao conhecimento acumulado, ele sabe distinguir quando as informações fornecidas estão equivocadas e sabe corrigir quando detecta erros. No entanto, quando falamos de estudantes que estão em processo de formação e qualificação para uma vida profissional, devemos tomar cuidado. O estudante ainda não tem conhecimento e experiência para identificar se as informações geradas em IA contém erros, se contém viés, e também tem dificuldades para corrigir esses equívocos da ferramenta. Quando o estudante deixa de executar suas atividades de estudo, pesquisa, reflexão, escrita, ele está prejudicando seu processo de aprendizagem e dificilmente será um profissional capacitado para produzir e aumentar a sua produtividade utilizando a IA”, analisa Valguima.

Matheus explicou ainda que, embora a inteligência artificial possa auxiliar em diferentes etapas da pesquisa, ela não pode ser reconhecida como autora ou coautora de uma produção acadêmica, uma vez que a autoria pressupõe responsabilidades legais, éticas e científicas. Essa orientação também é adotada por organizações internacionais de ética em publicações científicas, como o Committee on Publication Ethics (COPE). Nesse contexto, o professor enfatizou a necessidade de transparência na utilização dessas ferramentas. Ele defendeu que os pesquisadores informem, nos próprios trabalhos, qual sistema de inteligência artificial foi utilizado, sua versão, a data de acesso e a finalidade do uso, como revisão ortográfica, tradução ou geração de códigos para visualização de dados.

Ambos debatedores enfatizaram a distinção entre utilizar a inteligência artificial como instrumento de apoio e permitir que ela substitua o pensamento humano. Utilizar a IA de forma pontual é fundamental para garantir a qualidade da produção científica, uma vez que essas tecnologias produzem respostas a partir de padrões probabilísticos, sem a compreensão e a intencionalidade investigativa que caracterizam o trabalho científico. O pesquisador deve permanecer responsável pela interpretação das informações, pela construção dos argumentos e pelas conclusões do estudo.

CAFÉ COM PROSA ACADÊMICA

Criado pela Diretoria de Acervo e Difusão do Conhecimento (DADIC), o projeto Café com Prosa Acadêmica tem como proposta promover encontros periódicos para estimular o diálogo entre professores, estudantes, técnicos administrativos e a comunidade em geral sobre temas contemporâneos e questões relevantes para a sociedade.

A iniciativa também busca valorizar as bibliotecas e a Editora UFGD como espaços de produção, preservação e divulgação do conhecimento, incentivando a utilização dos acervos bibliográficos e ampliando o acesso às pesquisas desenvolvidas na instituição.

Os encontros serão organizados em torno de eixos temáticos que permitirão relacionar diferentes áreas do conhecimento aos desafios sociais, acadêmicos e profissionais da atualidade. Dessa forma, o projeto pretende estimular a troca de experiências, a reflexão crítica e a aproximação entre a Universidade e a sociedade.

Além das rodas de conversa, estão previstas atividades culturais e encontros no formato de clube do livro, com o objetivo de incentivar a leitura e apresentar à comunidade as oportunidades oferecidas pelas bibliotecas e pela Editora UFGD.

Com essas ações, o Café com Prosa Acadêmica pretende fortalecer a circulação do conhecimento produzido na Universidade, ampliar o contato do público com os livros e consolidar os espaços de leitura como ambientes de convivência, aprendizagem e compartilhamento de saberes.

Divisão de Jornalismo e Divulgação do Conhecimento – DJOC/DADIC/GABRTR/UFGD

 



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